terça-feira, 25 de novembro de 2008

It's a Killer's Christmas Time



O novo álbum dos The Killers, "Day & Age", acabou de sair ontem e nada melhor que celebrar esse facto com o vídeo de um single saído o ano passado e que vem a propósito da quadra que se avizinha, isto enquanto não chega o deste ano resultante da colaboração com o Sir Elton John.

O novo álbum tresanda a Bowie mas é bem mais superficial e kitsch, reflectindo de modo perfeito os tempos que correm. Feito à medida da nossa contemporaneidade, cheio de influências dispares, já sem pilosidades capilares, e que nos deixa com uma vontade irresistível de dançar, durando apenas o tempo exacto de cada canção aspirante à mais perfeita imperfeição.

sexta-feira, 14 de novembro de 2008

Audiências


Se houvesse Broadway ou West End em Portugal onde os poderíamos situar? Algures entre o teatro Mundial e o da Trindade passando pelo Politeama e por vezes até pelo Nacional, seria no entanto um “bairro” de teatro demasiado abrangente em termos geográficos; para além desse fosso cartográfico seria possível detectar outra diferença, talvez mais importante, a qualidade dos espectáculos que embora não seja uma garantia em termos absolutos, quando se fala dos bairros teatrais londrinos ou nova-iorquinos, no caso dos espectáculos que passam pelas referidas salas portuguesas podemos afirmar, sem grande margem de erro, que qualidade é algo ausente na maioria dos casos e exemplos não faltam, a juntar a esse rol podemos agora adicionar o espectáculo que se encontra em cena no Teatro da Trindade “Boa Noite Mãe” de Marsha Norman com encenação de Celso Cleto.
Desconfia-se que este espectáculo não passa de um veículo para preencher o curriculum de uma actriz que ficou conhecida por fazer novelas da TVI, Sofia Alves, e nele só existe um elemento que se salva, a personagem construída pela actriz Manuela Maria, tudo o resto encontra-se ao nível do medíocre desde a encenação, aos figurinos e cenário, tudo respira preguiça de ideias e conteúdos e nem o facto da peça ser um prémio Pullitzer a resgata de tanta falta de talento concentrado no mesmo espaço e tempo. Apesar de tudo é-nos dado perceber que até seria possível sustentar o espectáculo se estivéssemos na presença de duas actrizes de talento comparável, infelizmente é aí que o desequilíbrio mais se faz sentir. Sofia Alves que tinha entre mãos a monumental tarefa de construir uma personagem complexa em termos psicológicos, a qual nos anuncia desde o início da peça que se vai suicidar, resolveu este problema, que seria um dilema para qualquer actor, através do uso de uma expressão facial única, um esgar que para infelicidade dela se pode associar muito facilmente a um pensamento do tipo “não devia ter feito chichi nas cuecas e se sou descoberta a mamã vai-me bater” com a agravante de juntar a essa expressão facial imutável, resultante da triste ideia que a senhora tem sobre o que é representar, temos ainda um texto gritado monocordicamente ou, para lhe fazer alguma justiça, gritado ao ritmo de uma lenga-lenga que ao fim de dez minutos seria o suficiente para fazer sair da sala qualquer pessoa que preze a sua sanidade mental; felizmente para nós está por lá a Manuela Maria para nos brindar com excelentes exemplos de como é representar, exemplos que se tornam ainda mais óbvios quando em contraste com aquilo que nunca deveria ser representar.
Espectáculo de fugir mas como em palco até podemos encontrar um trabalho rigoroso e notável da actriz Manuela Maria, talvez se deva fazer o sacrifico de ficar até ao fim, quanto mais não seja porque no final também somos brindados com um momento de humor negro acessível apenas a alguns, isto porque passadas quase duas horas, de uma espécie de tortura, nada melhor para terminar esse pesadelo teatral do que fechar a personagem da Sofia Alves no quarto e deixar que ela se suicide, para grande alívio dos nossos olhos e ouvidos.

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

Monumental Dark Music


O mestre Scott Walker deu uma entrevista ao Observer só para adensar ainda mais a razão do mistério das suas criações e da sua personalidade que foi de pop brightest star para not so pop darkest star . Mais uma criatura incontornável que vai ser homenageada no Barbican, nos próximos dias 13, 14 e 15 de Novembro, em concertos apadrinhados por pupilos da mais elevada estirpe como o Jarvis Cocker ou o Damon Albarn.

É em momentos como este que eu lamento profundamente já não viver em Londres ou não ter sido um administrador do BPN.
Mas para quem puder corra até à bilheteira virtual do Barbican e compre esses preciosos bilhetes, já!

quarta-feira, 15 de outubro de 2008

Cultural Shower


Nas últimas semanas foram-me acontecendo espectáculos e livros e filmes e exposições sobre os quais nada disse e porque já não me apetece dizer muito deixo aqui apenas uma lista para os ajudar a fixar na minha memória e vou-me deixar levar pela tentação das estrelas, mas só nalguns casos:

Exposição sobre o Imperador Adriano no British Museum 5 ***** (Pena haver tanta gente na manhã da minha visita, mas comprei o excelente livro/catálogo que acompanha a exposição e assim posso ver tudo com mais calma cá por casa)

In-i Juliette Binoche/Khan no National Theatre 4 **** (Porque o monólogo da Binoche colada à parede precisa de ser trabalhado, de resto ela dança melhor que qualquer celebridade do Dança Comigo)

Lago Dos Cisnes pelo Royal Ballet na Royal Opera House 4 **** (Porque a Prima Ballerina não era a Alina Cojocaru e o Thiago Soares não estava num bom dia)

Indignation – Philip Roth 5***** (Eu escreveria In-Dig- Nation mas essa é a minha mania de ver para além das palavras)

Black Mass – John Gray (Sem classificação porque ainda não o li todo mas perece-me quase tão bom como o Straw Dogs)

The Master of Petersburg – J.M. Coetzee (Autor que nunca li e do qual já tinha ouvido falar com muito entusiasmo por parte da Maria Dulce Cardoso, escritora maior das nossas letras, sim essa é a razão da minha vontade de o ler (o Nobel não chega); isso e o facto de ser uma dramatização sobre a vida do Dostoievsky.

The Separate Heart & other stories – Simon Robson (Um conjunto de contos de um autor da nova geração que me deixou muito curioso)

Thames (Sacred River) – Peter Akroyd 5***** (Para ler acompanhado pelo magnífico London do mesmo autor.)

Naked – Mike Leigh (Um dos filmes da minha vida por razões que nem é preciso explicar porque as obras primas não se explicam)

Mahabharata – Peter Brook (Uma das minhas memórias mais felizes da televisão a par com Decálogo do Kieslowsky)

Regarde La Mer and short films do François Ozon – (Excelente edição da BFI com um pequeno livro com ensaios sobre o meu realizador francês dilecto da actualidade, se realizasse gostava que fosse como ele)

The Page Turner realizado por Denis Decourt (Resultante de uma curiosidade instilada por leituras várias, neste caso é só faro e vou às cegas. Ainda não sei se me enganei porque ainda não o vi)


Nip/Tuck (4ª Série) – É complicado às séries post- “six feet under” sobreviverem de um modo digno e esta nem com muita operação plástica de dramaturgia deixa ser uma espécie de mau filme porno, sem as cenas explicitas de sexo, e com estrelas decadentes de Hollywood a darem um ar de sua graça.

Siegfried do Richard Wagner no São Carlos - *****5 (Pela encenação do Graham Vick, genial desde o início do ciclo) ***3 (Pelo resto que está pouco acima da média, Wagner cantado e tocado de um modo sloppy nunca resulta)

Paris realizado por Céderic Klapisch com a dupla Binoche/Duris ***3.

Le Silence de Lorna dos irmãos Jean-Pierre Dardenne e Luc Dardenne ****4.

Ler a Ler


Desde que a revista Ler recomeçou a decorar as bancas de jornais e algumas prateleiras de hipermercados de livros com pretensões a livraria de culto, leia-se FNAC, comprei-a duas vezes: a primeira por curiosidade, sórdida, a mesma que me leva por vezes a comprar uma revista cor-de-rosa e da segunda vez porque na capa era anunciado um conto inédito do José Cardoso Pires. Da primeira vez serviu-me para constatar aquilo que já sabia, ou desconfiava, que é uma revista de amigos composta em grande parte por grandes promessas da literatura contemporânea portuguesa algumas das quais viram a primeira luz do dia literário no defunto, ou semi-moribundo, DN Jovem. Não tenho nada contra a amizade, ou contra o facto de se dar trabalho aos amigos, só me causa algumas reticências quando os amigos pensam todos da mesma maneira limitam-se a ecoar a opinião uns dos outros, porque isso empobrece qualquer amizade e por consequência qualquer actividade sustentada nesse tipo de relação.
A revista em termos gráficos evoluiu muito pouco desde a última vez que (a)pereceu nos escaparates, no entanto passaram alguns anos e como tal seria expectável que alguma coisa tivesse acontecido pelo seu interior. Podiam começar por brindar os colaboradores com umas fotos menos tipo cartão viva Lisboa, as quais não lhes fazem justiça. Este é, no entanto, um pormenor humorístico sem metade da graça de alguns dos textos escritos por esses mesmos colaboradores. Comecemos então pelo editorial escrito pelo Francisco José Viegas, director e mentor, e antes de mais salutá-lo por ser um editorial de duas páginas, daqueles como já não nos é dado ler muito frequentemente, onde se faz um pouco de auto-promoção, característica do escritor, sobre um programa de sua autoria que vai ser emitido em breve na RTPN. O tom mais sério, do editorial, e imagino que a sua razão de ser resulta da continuidade de uma discussão, que já vem do número anterior, e da qual me foi dado um vislumbre numa destas noites de Domingo quando fiz uma paragem pelo programa da Paula Moura Pinheiro, onde esta jornalista havia sentado frente-a-frente o Viegas e a Isabel Alçada, a das Aventuras, e onde se discutia a importância da introdução dos autores “do cânone” no curriculum escolar. Nesta discussão o Viegas, obviamente, mostrava-se indignado pela ausência desses mesmos autores do programa escolar, e para o demonstrar de uma forma veemente, a meio da discussão, saca do Moby Dick, do Herman Melville, assim a jeito de quem não quer a coisa, e nesse momento nalguns esclarecidos lares portugueses deve ter surgido um sorriso nos lábios de meia dúzia de incautos. O sorriso poderá ter origem em várias emoções, mas lá por casa venceu a da ironia, é claro. Aquela brilhante sugestão deve-lhe ter surgido no intervalo de dois charutos cubanos e dessa fumaça ele lá deve ter visto surgir a baleia branca a ser perseguida pelo feroz capitão Ahab, história para interessar sem dúvida à geração “Morangos Com Açucar”. Escusado será dissertar mais sobre este assunto uma vez que ele é autorevelatório, e sem sequer recorrer ao antigo nitrato de prata percebe-se muito bem o que está lá à espera de ser descoberto. Eu podia dar algumas pistas mas existem coisas que soam melhor caladas porque depois de ditas se tornam triste e trágicas. Só me questiono sobre a escolha deste livro em particular, talvez porque é mais butch que qualquer um dos livros de Charles Dickens ou algum conto do Oscar Wilde, autores concerteza de “cânone” afirmado mas de pena demasiado leve para o Viegas, sim leve nesse sentido; para já não falar nos vários volumes do “Em Busca do Tempo Perdido”, e livro mais canónico não deve haver, mas cujos subtítulos não ajudam, explicar Sodoma, Goromorra ou o que são raparigas em flor às criancinhas só deve ser possível depois de alguns meses de Magalhães, e para além disso ter que escolher um volume em detrimento dos outros seria sempre uma missão impossível para leitor de cânones que se preze.
Outro momento merecedor de destaque é a crónica do Jorge Reis-Sá onde se disserta sobre Philip Roth de um modo tão superficial que nem mesmo aquela senhora da escrita light seria capaz de igualar; mas ora aí está o Roth, desde há uns anos para cá é um eterno candidato ao Nobel e escritor maior da constelação literária (aqui não há espaço para qualquer ironia, desculpem lá qualquer coisinha) que felizmente não precisa deste tipo de crónicas, mas que não pode evitar ser usado por quem asseia obter pontos literários sempre que o seu nome é citado.
Depois temos a crónica do Pedro Mexia sem dúvida engraçada, de humor fino e refinado e que eu arrisco a anunciar como do melhor que a revista tem, embora os temas sobre os quais ele versa sejam cada vez mais de velho precoce há que admitir que ele escreve bem, tout cours, por muito que as suas opiniões por vezes me irritem e se encontrem no pólo oposto das minhas, (in)felizmente encontro mais coisas em comum com ele do que aquelas que desejaria; aliás este é um fenómeno que me acontece com outro indivíduo, o Pereira Coutinho, e tenho que reconhecer, ainda bem que assim é porque ambos escrevem como poucos cá por este burgo.
Vale ainda a pena ler o conto do José Cardoso Pires, porque é sobre os fantasmas do Pessoa à solta pela cidade que tanto amo, Álvaro de Campos à procura da sua Daisy em Lisboa, que através das mãos de Cardoso Pires passa a ser aquilo que só poderia ser, uma carícia profunda e sentida à nossa capital e uma vénia emocionante ao nosso poeta maior. Depois há ainda o resto do dossier de homenagem ao escritor lisboeta, com declarações de amigos e ensaios sobre a obra e livros mais relevantes.
Finalmente há a crónica do Eduardo Pitta com o seu tom bitch cada vez mais apurado, ainda sem a secura de um Edmund White ou a erudição despreocupada de Gore Vidal, mas algures lá pelo meio há-se surgir uma voz sem dúvida original; talvez quando ele deixar de querer emular qualquer uma destas suas, óbvias, referências.
No fim e em suma, apesar do director e de alguns textos, foram muito bem empregues os € 5 que dei pela revista.

quarta-feira, 1 de outubro de 2008

Quizzie Time



Vou deixar-vos por uns dias porque amanhã parto para Londres. Vou ver a dupla Binoche/Kahn no National Theatre, o Lago Dos Cisnes pela enésima vez na Royal Opera House (desta vez com um elenco em português do Brasil), comprar, ver e consultar livros até à exaustão na Waterstones, Foyels e Blackwell, comprar CD's e DVD's na HMV e Fopp (que agora parecem ser a mesma coisa...), ver a exposição do Adriano no British Museum e a do Bacon na Tate Britain e se ainda tiver tempo espreitar a extravagância dos candidatos ao Turner prize deste ano que estão alojados pela Tate Modern. No entanto não quero partir sem vos deixar entretidos com um questionário primoroso sobre a censura, isto a propósito da semana de protesto promovida pela ALA (American Library Association).
Pela liberdade dos livros para que nunca nos esqueçamos da nossa.

Preparados?

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segunda-feira, 29 de setembro de 2008

O'er the land of the free and the home of the brave!


O título deste post é retirado da letra do hino dos EUA e serve de reflexão pois na terra da apregoada liberdade quer-se agora fazer censura ao livro de Philip Pullman, "Northen Lights", primeiro volume da triologia "Dark Materials"; infelizmente isto não é novidade porque censura já tem havido noutras ocasiões, por exemplo Gore Vidal já escreveu sobre isso e para bem da sanidade dessa nação ainda pode continuar a fazê-lo.
Para mais pormenores e saber o que o autor censurado pensa sobre o assunto pode ler-se aqui e aqui